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Bon Jovi: Bom sem ser perfeito

por raquel-onthehop, em 27.06.13

O regresso da banda de New Jersey tinha tudo para fazer história: milhares de fãs ansiosos, um lindíssimo Parque da Bela Vista - a palpitar de vida - e um dia de verão como não se fazia sentir há muito... Mas, nem tudo estava a seu favor. Jon e os seus companheiros conseguiram tornar o espetáculo memorável mas os fãs mereciam mais.

O dia quente não ajudava à espera. Mas, ainda assim, vindos de todo o país, chegavam os entusiasmados fãs da intitulada "maior banda rock do mundo". Chapéus, protetores solares, vozes afinadas. Só faltava o relógio andar. Foi já ao final do dia, mas não com menos calor, que a Brass Wires Orchestra subiu ao palco. A banda portou-se bem, revelou-se honrada e foi sempre simpática com o público. Ainda que a sua sonoridade encaixasse bem no parque salpicado de árvores e nos convidasse a sentar interiorizando as melodias, a escolha não poderia deixar de parecer algo extravagante. Apesar de ser muito bom em palco, o grupo português tem um "folk progressivo" completamente destacado do rock dos norte americanos, que não foi tão bem recebido pelo público. «Boa, uma banda de marchas fúnebres», comenta o senhor junto a mim.

 Quando a banda finalmente subiu ao palco, depois de um vídeo de apresentação, milhares de máquinas fotográficas - e vozes - se elevaram por todo o recinto. O alinhamento não era tão pujante quanto o de 2011 e só após a calma "That's What The Water Made Me", nos chegou "You Give Love a Bad Name" com um lindíssimo sing along dos fãs, logo seguida de "Raise Your Hands". Os dois animados hits, com todo o recinto aos saltos e de mãos no ar, pareciam o pontapé de saída para uma noite alucinante.

O sorriso de Jon aparecia e desaparecia e notávamos o simpático norte-americano algo distante do público. Dizendo, por diversas vezes, "I like it" ("Eu gosto disso") para a audiência, fez questão de aplaudir as suas iniciativas, como uma onda de balões que se ergueu durante "Because We Can". A verdade é que a maioria do público marcava presença na Bela Vista pelos velhos singles: pela balada "Always", por "Bed of Roses", por "Runaway" ou "It's My Life". A insistência dos norte-americanos na promoção de "What About Now" foi a desilusão de algumas centenas de fãs devotos que sentiram que ficou muito por dar.

Mas claro, a euforia continuou a acompanhar Jon que, frequentemente, se virava para a plateia e perguntava "Are you still with me?" ("Ainda estão comigo?"). Não podemos deixar de referir que se cantou menos do que em 2011. O próprio espetáculo baseava-se mais nos músicos, o que infelizmente fez destacar a ausência de Richie Sambora. Sem tirar o mérito a Phil X, que fez um excelente trabalho, com destaque para "Dead or Alive", fazia falta a química em palco de Richie e Jon que havia feito a delícia das máquinas fotográficas no últmo concerto do grupo em terras lusas.
 A "noite quente de verão", que Jon elogiou, teve um dos seus pontos altos em "Bad Medicine". Antes do início do single de 1988, o cantor relembrou o encerramento da "Circle Tour", em Lisboa, como um concerto memorável que deixa saudades. Com um balançar de anca, brincadeiras com a banda e o público, Jon acrescentou que, além do enlouquecer, Portugal lhe iria fazer perder a compostura, arrancando gritos e suspiros das milhares de portuguesas presentes e risos aos seus fãs. O cartaz levantado por um fã que dizia "Jon, my wife doesn't want to die without kissing you" ("Jon, a minha mulher não quer morrer sem te beijar"), levantou-se ainda mais altos entre gargalhadas e elogios à performance do sensual vocalista. 

«Eu quero agadecer a todos por terem vindo até aqui esta noite. Quero agradecer-vos por trinta anos do vosso carinho e apoio, por trinta anos da vossa amizade e, em tempos como estes, pela vossa paciência. E têm de me perdoar, porque tudo o que sei dizer em português é obrigado. E eu quero agradecer-vos. Para todos vocês que têm as vossas máquinas ou telemóveis elevem-nas, liguem-nas, apontem-nas para vocês e para os vossos amigos, apontem-nas para nós. Guardem estes pedaços de história e levem-nos convosco quando forem embora. Para que saibamos que esta noite estivemos todos aqui... estivemos vivos. Para que nos lembremos que estivemos vivos juntos, respirámos o mesmo ar, iluminámos o céu de Lisboa. Olhem só para isto», apontou para o mar de luzes na Bela Vista. E iniciou-se um arrepiante "Dead or Alive".
Mas só depois do segundo interlúdio - e de Jon ter trocado o colete de cabedal por uma t-shirt azul - o concerto se aproximou do final. Após um "Livin' on a Prayer" arrebatador, com o público a cantar em plenos pulmões, a banda abandonou o palco. Gritou-se, bateram-se pés, cantou-se. Subiram ao palco dezenas de roadies que deitaram abaixo as expectativas do público, que se mantivera firme na esperança de que os norte-americanos voltassem depois de todos os agradecimentos. Gritava-se por "Always", pelo calor e conversa que Jon nos dera em 2011.
E ainda que o "Rockin' All Over the World" não tenha tido o mesmo sabor que "Twist and Shout", não podemos deixar de dizer que são os Bon Jovi - e isso, por si só, é o bastante.

Já à saída, um rapaz, de pouco mais de 6 anos, diz o quanto adorou o concerto. A mãe faz caretas, desiludida, com vontade de admitir que esperava mais. «Mas também...foi o meu primeiro concerto!», acrescenta, perspicazmente, o rapaz, solidário com o desconsolo da mãe.

Em suma, o Parque da Bela Vista encheu para, mas uma vez, receber os ícones do rock e uma moldura humana faminta por "oldies". E podemos reafirmar que Jon Bon Jovi é um animal de palco, autêntico entertainer. E é a tatuagem do icónico símbolo do "Super Homem", no seu braço esquerdo, que nos confirma as suspeitas: o norte americano é um músico absolutamente sobrenatural. E todos sabemos que seria preciso um desastre para que um concerto da "velha" banda de New Jersey fosse realmente mau. Embora a greve geral tenha precipitado o final súbito do espetáculo. A noite foi boa... quase ótima... mas tinha tudo para ser perfeita.


Texto: Raquel Cordeiro
Fotos: Ana Rita Santos 

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publicado às 10:46


1 comentário

De anónimo fã de BJ a 27.06.2013 às 18:39

De tudo o que escreveu, acho que não falta nada.
Muito bem descrito o concerto.
Foi o meu primeiro concerto, dos Bon Jovi, mas não fiquei decepcionado, apenas amargurado por ter faltado o pózinho extra.

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